Um dos assuntos mais comentados na última semana foi a última edição do programa “ A Liga”, que denunciou a respeito de trabalho escravo. O jornalístico, que é exibido todas às terças-feiras na TV Bandeirantes, mostrou que o trabalho em situação semelhantes à escravidão não se limita a locais afastados como fabricação de carvão vegetal no interior do Pará, na região Norte do Brasil, também exibida no programa.
Na cadeia de produção, muitas pessoas nem imaginam de que pode existir trabalho escravo até mesmo nas grandes cidades, como na construção civil e em oficinas de costura. Repórteres do programa “A Liga” acompanharam o trabalho do Ministério Público do Trabalho para apurar denúncias de trabalho escravo nesses locais.
Mas o que mais repercutiu em todo o Brasil e no exterior é que foram descobertas, somente no estado de São Paulo, 33 oficinas clandestinas de costura que contavam com 200 mil costureiros bolivianos trabalhando em condições semelhantes à escravidão, em instalações precárias.
As oficinas estavam instaladas em locais sujos, sem ventilação, com instalações elétricas cheias de remendos, com fios desencapados, além dos funcionários trabalharem e morarem no mesmo local, em jornadas de trabalho superiores a 16 horas diárias. E o pior é que os operários não contavam com o mínimo conforto, já que não podiam contar nem com chuveiro elétrico.
A produção de roupas era destinada para grandes magazines, que costumam terceirizar a sua fabricação, em especial a rede espanhola Zara, presente na maioria dos grandes shoppings das principais capitais brasileiras. Os operários recebiam por peça produzida, uma média de R$ 2,00 por cada. Entretanto, como foi mostrado no programa, caso uma peça fosse danificada pelo costureiro, ele deveria pagar o preço de uma peça vendida na loja, o que não costuma ser inferior a R$ 100,00.
Como os operários bolivianos foram aliciados em seu país de origem, normalmente ficam devendo a passagem e hospedagem para os aliciadores. Dessa forma, ao longo do tempo, o operário não consegue pagar as dívidas contraídas com os aliciadores, passando a ter que trabalhar de graça para pagar.
O Ministério do Trabalho continua a investigar denúncias de trabalho irregular, e aperta o cerco para outras 35 marcas de roupas suspeitas de adotarem mão de obra irregular, que ainda não foram divulgadas para não atrapalharem as investigações.
Para quem não assistiu a última edição do programa “A Liga”, pode assistir na íntegra pela internet: http://www.band.com.br/aliga/conteudo.asp?id=100000450075
Por Selma Isis
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Assunto: televisão