Millôr Fernandes: Morre um dos criadores do “Pasquim” e uma das principais figuras da imprensa brasileira

Millôr FernandesMenos de uma semana após o falecimento do humorista Chico Anysio, a cultura brasileira sofreu mais uma grande perda no dia 28 de março: Millôr Fernandes. O cartunista, escritor, dramaturgo e um dos fundadores do célebre jornal “O Pasquim”, faleceu aos 88 anos, em decorrência de falência múltipla de órgãos, em sua casa, no Rio de Janeiro (RJ).

Nascido no Rio de Janeiro, em 1923, Millôr Fernandes é uma das principais figuras da imprensa e da cultura brasileira, já que foi um profissional multifacetado, atuando como tradutor, escritor, poeta, jornalista, dramaturgo, desenhista e humorista, sempre obtendo muito sucesso tanto de crítica como de público em cada área de atuação.

Autodidata, perdeu os pais bem cedo, e começou a trabalhar aos 14 anos, como contínuo e repaginador na extinta revista “O Cruzeiro”. Foi na mesma época em que ingressou na carreira literária, ao vencer um concurso de contos na também extinta revista “Cigarra”.

Como prêmio, passou a trabalhar como arquivista, e se transformou em colunista logo depois, quando foi convidado a preencher um espaço vazio de uma publicidade que foi cancelada na publicação. Dessa forma, surge sua primeira coluna, chamada de “Poste Escrito”, onde assinava com o pseudônimo “Vão Gogo”.

Ao longo de mais de sete décadas de intensa produção cultural, Millôr Fernandes se transformou em um dos mais importantes intelectuais da imprensa e cultura brasileira, considerado como uma das personalidades mais importantes da imprensa nacional do século XX, com passagens pelos veículos impressos mais renomados do país, como o já citado “O Cruzeiro”, “Jornal do Brasil”, “Veja”, além de ser um dos fundadores de um dos periódicos mais importantes que combateram a ditadura militar: “O Pasquim”.

Quem está na faixa etária dos 45 aos 70 anos, com certeza deve se lembrar do célebre jornal “O Pasquim”, criado para enfrentar a ditadura militar que vigorava no Brasil entre os anos 60 e 70. Fundado em 1969, o periódico semanal conseguia expor de maneira bem humorada sobre a então situação política e social pelo qual passava o país. Mesmo após a abertura política, no final dos anos 80, “O Pasquim” circulou até novembro de 1991.

Dessa forma, “O Pasquim” teve uma grande importância para a formação de uma geração inteira de leitores, pois contava com uma equipe de jornalistas, chargistas e artistas de primeira linha, como Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Jaguar, Ziraldo, Henfil, Ruy Castro, Paulo Francis, Fausto Wolff, Cláudio. Prósperi, Fontana, Ivan Lessa, Carlos Leonan, Sérgio Augusto, que influenciaram grande parte da imprensa atual.

Conhecido por ser um grande pensador, capaz de elaborar frases e aforismos (frases breves e espirituosas), com tiradas que eram ao mesmo tempo, bem-humoradas e ácidas, que o consagraram ao longo de mais 70 anos de carreira, como:

“Celebridade é um idiota qualquer que apareceu no Faustão”.

“Às vezes você está discutindo com um imbecil… e ele também”.

“Feliz é o que você vai perceber que era, algum tempo depois”.

“O homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é”.

“As mulheres são mais irritáveis porque os homens são mais irritantes”.

Millôr deixa uma vasta obra, com 40 livros publicados, e muitos trabalhos, como charges, desenhos, frases e poemas que podem ser vistos em seu site oficial: http://www2.uol.com.br/millor

 Por Selma Isis

Publicidade